(Isto a propósito deste post. Eu ia só fazer copy/paste, mas não resisto a deixar também umas palavrinhas.)
Simples. NÃO se aprende!! Parir é completamente inato, como o bater do coração ou respirar.
Então quando me apresento como Educadora Perinatal, afinal... pois, é tudo publicidade enganosa, eu não ENSINO ninguém a gerar uma criança, ou a parir, eu acompanho as várias fases pelas quais a mulher está a passar, informo sobre variados temas que dizem respeito à gravidez, parto e pós-parto e essencialmente tiro dúvidas(mas convenhamos...Tiradora de Dúvidas Perinatal não é um nome muito prático...).
Por todo o país se faz Preparação para o Parto. Aqui em Vila Real as grávidas a ser acompanhadas no Centro de Saúde são contactadas às 28 semanas para fazerem as aulas de Preparação para o Parto. E em que consistem essas aulas?Método Psicoprofilático.
"O método baseia-se na aprendizagem de reflexos condicionados que vão favorecer a evolução do trabalho de parto, como o relaxamento e a respiração adequada a cada momento."
Para mim há duas coisas boas neste tipo de preparação que se faz em Portugal, em 1º lugar o facto de as mulheres reservarem umas horas por semana para se dedicarem à sua gravidez, a 2ª e mais importante o tempo em que estão à porta da aula e conversam umas com as outras e descobrem as mesmas preocupações e dúvidas na mulher sentada ao seu lado.
Para os contras deixo aqui o Sr.Michel Odent:
"Assim, Lamaze, obstetra francês, pai da psicoprofilaxia ocidental, dizia e escrevia que uma mulher deve aprender a dar à luz tal como aprende a andar, a ler ou a nadar. Estas indicações despistaram o mundo inteiro, e com o tempo, resultaram numa crise. (…) Foi assim que gerações de mulheres gestantes foram preparadas para o parto.A interpretação do processo de parto como um processo involuntário que põe em marcha as estruturas ancestrais, primitivas, mamalianas do cérebro, pressupõe desfazer a ideia aceite de que uma mulher pode aprender a parir.Esta interpretação permite, inclusive, compreender que não se pode ajudar activamente uma mulher a parir. Não se pode ajudar num processo involuntário. Somente se pode evitar perturbá-lo demasiado.
Michel Odent
in "El bebé es un mamífero" 1990
Ou seja, não consigo aceitar que seja necessário condicionar uma mulher para esta parir melhor. Entendo que à partida ela já está condicionada negativamente com tudo o que vê nas séries e filmes, e pelas histórias terríveis que as outras mulheres contam dos seus próprios partos. Para parir a mulher precisa antes de mais de descobrir o seu poder feminino, a sua condição de deusa magnífica, a sua força avassaladora. O corpo da mulher é sábio, senti-lo, ouvi-lo e entendê-lo é o melhor caminho para o melhor dos partos.
NOTA-As ultimas indicações do Lamaze, no seu último guia The Official Lamaze Guide, fala-se mesmo de repensar a respiração e relaxamento. Neste guia, a mulher é convidada a encontrar a sua própria respiração consciente, e a procurar outras formas de se manter activa para lidar com as contracções: andar, dançar, massagens, bolas de parto, baloiçar, etc.