08 abril 2010

Como contratar a SUA Doula?

Encontrei esta informação no blog de uma cara amiga Doula e não resisti a deixar aqui no blog.

Para que seja claro, este trabalho faz-se de empatia, de amor, de amor incondicional, e para isso é preciso que a energia flua entre a mãe(casal) e a Doula.

Se não devemos aceitar qualquer profissional de saúde sem nos questionarmos, o mesmo acontece com a Doula.

Para cada mãe, há uma Doula, A Doula, não deixem de a procurar :)

"COMO CONTRATAR A SUA DOULA?


A primeira recomendação na escolha de uma doula é que a mulher/casal se
encontre com algumas doulas para poder escolher aquela com quem se sente
mais à vontade. A mulher deve sentir que a sua doula compreende as suas
esperanças e expectativas quanto ao parto e cuidados parentais.

Ao conversar com uma doula é importante considerar as seguintes questões:

-A doula é simpática, carinhosa e entusiasta?

-Tem conhecimentos na área da gravidez, parto e pós-parto?

-Comunica bem? Sabe ouvir?

-Sente-se confortável com as escolhas e decisões da mãe/casal?

-A mãe (casal) sente-se bem na presença da doula?


A empatia gerada com a doula é mais importante que a sua experiência. A mãe
deve sentir-se confortável e segura com a doula que escolher, para que se
possa estabelecer entre ambas uma relação de confiança.

É conveniente fazer perguntas e esclarecer dúvidas para que a mulher/casal
possa conhecer um pouco a doula
. Alguns exemplos de questões a colocar são:

-Que formação tem?

-Que apoio dá durante a gravidez?

-Qual a sua filosofia pessoal quanto ao parto e ao apoio à mãe e parceiro?

-Como e onde se dá o apoio físico no parto?

-Trabalha com doula de back-up? Podemos conhecê-la?

-Qual a sua filosofia pessoal de cuidados parentais e de apoio à família no pós-
parto?

-Que apoio dá à amamentação?

-Que serviços adicionais presta?

-Quais os seus honorários e o que incluem? "

Fonte: Mãe para Mãe

19 março 2010

um grande VIVA aos PAIS!!!!

Para celebrar tão glorioso dia, aqui vos deixo dois artigos do Notícias Magazine de 14 de Março.
Acima de tudo, neste dias, celebramos o amor. O amor incondicional. E esse é o melhor caminho para a felicidade :)
Se os pais não têm o tão afamado instinto maternal, o que é bastante natural basta ver o nome :), têm concerteza o instinto paternal!!
Podem vestir os filhotes com roupas absolutamente incríveis, fazer brincadeiras acrobáticas dignas de circo, deixar os nervos das mães em franja quando perguntam pela enésima vez a que horas era a reunião na escolinha, mas AMOR é AMOR, e se os deixarem(os outros e eles próprios se permitirem) são capazes de deixar adivinhar um coração gigante e um colo do tamanho do mundo.


"Pais em regime de exclusividade
por Gabriela Cerqueira. Fotografia de António Pedro Santos

Ficam em casa a cuidar dos filhos, ganham prática a trocar fraldas e a preparar biberões. Quase um ano depois de entrar em vigor a nova lei, há cada vez mais homens a aderir à licença parental partilhada. Movidos pelo regresso das mães ao trabalho ou pela circunstância do desemprego, alguns pais não abdicam de acompanhar os primeiros meses dos filhos. As histórias de quatro homens, pais a tempo inteiro, em regime de exclusividade. " aqui

"Os outros pais
por Mónica Menezes. Fotografia de António Pedro Santos

Não os viram nascer, não cortaram o cordão umbilical, não lhes deram nome, mas amam-nos como se fossem sangue do seu sangue. Os padrastos, os homens que as mulheres escolheram na altura de dar uma segunda oportunidade ao amor, mostram-se cada vez mais rendidos aos filhos delas e, com naturalidade, assumem-se como os outros pais. Os sentimentos de quatro homens que se entregaram de corpo e alma para amarem como suas as crianças que não lhes eram nada." aqui

11 março 2010

Ser-se pai hoje é mais complicado

"Ser-se pai hoje é mais cpmplicado, sabe porquê?", questiona Julio Machado Vaz. "Porque o século XX foi o século dos especialistas. Até aí, a malta ia educando os filhos como sabia. E, de repente, apareceram os especialistas. Eles fazem o melhor que podem, mas o que aconteceu é que começaram a escrever livros sobre "como é que se educa bem a criança" e, depois, a pessoa fica com a sensação que está a fazer asneiras e de que tem de seguir aquilo que os especialistas dizem. Mas, como nós sabemos, não há pais nem mães perfeitos. Embora gostássemos de ser. Portanto, encontramos hoje uma ansiedade na educação dos filhos que não existia no passado."

in "Não quero ser Mãe" de Laura Alves, pg.81, ISBN 978-972-770-654-9

08 março 2010

Dia Internacinal da Mulher

"Muitas pessoas perguntam hoje, qual o sentido de comemorar o Dia Internacional da Mulher. Muitas mulheres sentem-se até de certa forma ofendidas como o dia, como se fossem inferiores e precisassem de um dia especial a si dedicado, uma espécie de epitáfio/esmola sem sentido nem sentimento…

Mas afinal, onde é começou este dia, e qual o propósito?

Há 153 anos, no dia 8 de Março de 1857, teve lugar aquela que terá sido, em todo o mundo, uma das primeiras acções organizadas por trabalhadores do sexo feminino. Centenas de mulheres das fábricas de vestuário e têxteis de Nova Iorque iniciaram uma marcha de protesto contra os baixos salários, o período de 12 horas diárias e as más condições de trabalho. Durante a greve deu-se um incêndio que causou a morte a cerca de 130 manifestantes.
Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women’s Trade Union League. Esta associação tinha como principal objectivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto.

Será que as feministas/socialista de há 100 anos atrás teriam noção do que seria a sociedade de hoje? Será que elas teriam noção que as mulheres conseguiriam, pois claro, a plena integração no mercado de trabalho e a total emancipação?

Certamente se espantariam de saber que após todas estas conquistas, as mulheres ainda seriam discriminadas em pleno séc. XXI pelas questões biológicas e de género…

Se há mais de 150 anos o motivo que levou as mulheres à rua era claro – trabalho e direitos iguais para homens e mulheres – a verdade é que na sociedade de hoje temos tendência para pensar facilmente que já não há injustiças de género e que as mulheres ocupam lugares de topo no trabalho. Como se estivesse tudo bem.

Mas não está. As mulheres, ainda que plenamente integradas no mercado de trabalho e ocupando lugares de topo, sofrem enormes pressões. As que são mães, não podem dedicar-se integralmente a essa condição, precisamente pelas limitações que o trabalho e as responsabilidades profissionais lhes impõem. As que não são mães, vêm muitas vezes os seus projectos de maternidade adiados devido ao peso que o trabalho ocupa nas suas vidas, e à possibilidade (nada remota) de serem despedidas ou substituídas quando engravidarem.

Quem nunca ouviu as histórias de entrevistas de emprego, onde se pergunta a uma mulher se tem filhos, e em caso de resposta negativa, se está a pensar engravidar? Será que fazem a mesma pergunta se for um homem: “O Senhor, está a pensar engravidar a sua companheira?…”

Estas situações passam-se em qualquer empresa respeitável, aos olhos de toda a gente, e com o conhecimento de todos, e essa situação, só por si, seria o suficiente para justificar a existência do dia de hoje.

Depois, por outro lado, temos as mulheres que abdicam de carreiras profissionais para se dedicarem a 100% à maternidade. São poucos os apoios que encontram por parte da sociedade, e esbarram muitas vezes com a perplexidade dos que as rodeiam, por terem deixado carreiras promissoras, para estarem em casa “sem fazer nada”, ou serem domésticas.

Por aqui se vê a preconceito que existe relativamente aquelas que fazem trabalho doméstico (leia-se na sua casa, cuidando da sua família): este é visto como um trabalho menor e nada valorizado (não há ordenado, não há férias, não há descontos para a segurança social) e como sendo um último recurso para quem não consegue um emprego.

É fácil percebermos, nos meandros do feminismo do séc.XXI, que o que condiciona as mulheres, e as torna discriminadas relativamente aos homens, são sem dúvida as questões biológicas. As mulheres (ainda) são as únicas capazes de gerar vida, e abnegadamente geram um novo ser durante 9 meses. E são essas discriminações que a mim, particularmente, mais me interessam combater…

Os direitos da mulher durante a gravidez e parto estão ainda longe de ser uma realidade, tanto nos países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos e industrializados.

As complicações decorrentes da gravidez e parto são a maior causa da mortalidade feminina no mundo. Nos países pobres e subdesenvolvidos, não há serviços de saúde disponíveis e as mulheres acabam por morrer de complicações que seriam facilmente resolvidas por uma parteira ou enfermeira especialista. Noutros casos ainda, são os homens que vedam o acesso das mulheres aos cuidados de saúde, por questões de crenças, baixos rendimentos ou até exercício desmedido de controlo e poder.

Nos países desenvolvidos a realidade é outra, ainda que a discriminação continue. Os cuidados de saúde são cada vez menos de acesso universal, e quem tem dinheiro para pagar é quem fica melhor servido. Por outro lado, os negócios das companhias de seguros e indústria farmacêutica, têm sucessivamente colocado os seus interesses financeiros à frente dos direitos das mulheres. Milhares de cesarianas são feitas anualmente no Brasil e EUA, por exemplo, sem qualquer justificação médica, apenas porque é um procedimento mais bem pago e feito em menor tempo, trazendo consequentemente maior rentabilidade aos prestadores de cuidados. Um pouco por todo o mundo industrializado, há cada vez mais mulheres a sofrerem de complicações graves decorrentes de partos demasiado instrumentalizados e traumáticos, e as taxas de mortalidade materna têm vindo a subir à medida que vemos as cesarianas a aumentar

Por todas estas realidades, continua a ser preciso lutar por mais direitos. É já em Setembro de 2010 que se irá discutir em Estrargurbo: “Birth Is a Human Rights Issue”. O nascimento é uma questão de Direitos Humanos.

Hoje, como há 150 anos atrás, é importante dar voz e visibilidade às mulheres."

Por Rita Correia aqui

04 março 2010

Mulheres

As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.
Daniel Faria

19 fevereiro 2010

Dia 20 de Fevereiro, em Vila Real, curso de preparação para um
PARTO HUMANIZADO
Ninguém ensina uma mulher a parir.
Esse mistério está inscrito desde sempre
em todas as células do seu corpo.
É disso que vamos tratar neste workshop.
Do momento mágico, poderoso, único em que da
Mulher nasce uma Mãe.
Para mais informações, dúvidas ou sugestões é só escrever para doulamicas@gmail.com

A Luta que temos em nós Mulheres!

Eu não consigo dizer(tudo) isto melhor.

Aconselho este livro a todas e todos. Devorei-o assim que o recebi, e a cada linha apeteceu-me transcrevê-lo para aqui. Mesmo o texto que vos deixo por muito que me esforçasse não consegui que ficasse mais curto :)
Foi esta a revelação que tive quando me embrenhei no movimento de humanização do parto, que esta é a verdadeira luta feminista dos nossos tempos. E é por isso que não vou arredar pé!!!

"Durante longos séculos as mulheres foram condenadas à maternidade como única forma de: conseguirem um lugar no paraíso(a outra alternativa seria serem freiras ou beatas); receber protecção e respeito; obter dinheiro e status; ter acesso a um nível social superior e alcançar o poder. Quando o movimento feminista surgiu, o primeiro papel feminino a ser questionado foi justamente o da maternidade. Inúmeros livros foram escritos para mostrar a mutilação mental, social e emocional da mulher mãe e, sobretudo, se fez questão de extirpar a crença maléfica de que esta seria uma função natural da mulher, uma vocação baseada na sua própria natureza. Demonstrou-se que a ideia de existência de um instinto maternal nada mais é que uma construção cultural, usada como historinha para subjugar as mulheres e mantê-las ocupadas, em casa, em meio a crianças berrantes, enquanto o mundo é administrado pelos homens. E eu aqui estou, para escândalo de sociólogas e antropólogas, a levantar Deusas e arquétipos que tanta afinidade têm com os famigerados instintos...


Considero realista a perspectiva descrita acima e suas conclusões uma etapa fundamental do processo de libertação feminina, libertação, inclusive, não terminada. Não só. Vejo ainda hoje mulheres usando a maternidade como forma de promoção social, ou de assegurar-se a continuidade de um casmaneto em crise, ou simplesmente um modo para encontrar algum sentido na vida, presas como estão no desespero que vem da falta de oportunidades e de identidade num mundo ainda antifeminino. Corresponde também à realidade que sermãe, de uma certa forma, tira as mulheres do palco da história e das decisões "importantes". É inegável que não se pode cuidar de um bebé e ao mesmo tempo conduzir um país ou uma empresa. As mulheres até tentam, mas há um preço muito alto a pagar e, talvez, no final de contas, o sacrifício não valha a pena. Se é verdade que precisamos ter tempo de qualidade com os nossos filhos, é também um facto indiscutível que presença e tempo físico real são pré-requisitos indispensáveis para o sucesso de qualquer relação: seja com um filho ou com um projecto de trabalho. No final da históri, somos uma, o dia só tem 24h e nossas energias têm limites. Não há como fantasiar esta realidade.


Entretanto, apesar desta e doutras questões insolúveis que se arrastam há décadas, apesar dos malabarismos e dos esforços inumanos que as mulheres fazem para serem mães sem mudar o contexto no qual vivem, estamos diante de um fenómeno novo, uma embrional, mas, possivelmente, irreversível, virada que bem podemos chamar de feminista e que tem na maternidade seu marco estratégico.


O movimento pela humanização do parto questiona o papel passivo da mulher diante do atendimento obstétrico tradicional. Esta postura, entretanto, sabemos que não se origina no gabinete do médico, mas tem suas raizes na histórica e induzida falta de pensamento crítico e cidadania, na ausência de informação, no preconceito de género, na discriminação racial e social; e, last but not least, no desumano sistema económico em que vivemos, que coloca o lucro acima de qualquer valor humano, incluindo a vida. Ao incentivar a mulher a ter um parto activo, estamos, querendo ou não, despertando um processo que começa antes do parto - numa gestação informada e preparada - e que, inevitavelmente, reflectir-se-à no pós-parto, arrastando consigo muitas das questões latentes que afligem a vida de tantas mulheres em massacrantes triplas jornadas de trabalho.(...)


Uma maternidade que quer ser a continuação de um parto humanizado precisa rever seu paradigma de base. A mãe, informada e activa durante a gestação e parto, estará agora frente ao desafio de fazer da criação de seus filhos um processo também activo e consciente. O casal se estrutura em torno de um novo pólo de referência no qual aprendeu a agir em primeira pessoa e a tomar decisões pertinentes, tornando-se sujeito participativo e questionador. A selecção cuidados das informações perpetua nesta nova etapa. O incómodo pelas restrições do plano de saúde, do médico, do atendimento do SNS e do hospital particular vai continuar nas novas perguntas que dizem respeito à realidade da vida, às horas de trabalho e de trânsito, à comida que se come, ao ar que se respira, às vacinas e medicamentos que se tomam sem pensar. Enfim, à qualidade de vida. Como para as questões do parto, não existem soluções prontas. Da mesma forma como hoje em dia há poucas opções disponíveis e reais paraum parto natural, domiciliar, activo e economicamente acessível, as alternativas de trabalho e de vida enforcam as mulheres entre limites e obrigações dolorosas e cruéis. Sem aparente solução.


Entretanto, é graças à inquietação e insastifação que novos caminhos se abrem, novas ideias surgem e verdades imperituras emergem. A inquietação que marcou a gestação e fez a mulher mudar de rumo deve manter-se viva no pós-parto como atitude constante. O facto de não se enxergar uma solução não quer dizer que ela não existe, quem sabe seja este nosso próximo parto: o de trazer à luz um estilo de vida satisfatório, que dê conta das necessidades e desejos que temos agora. Este espírito de revolta e, ao mesmo tempo, de criação é um elemento benéfico para todo o conjunto social, uma vez que se precisa com sempre mais urgência de cidadãos conscientes e participativos para a construção de um futuro melhor.(...)


É na maternidade que as vísceras femininas podem unir-se ao intelecto -Deméter e Artémis com Atena - e, desta união alquímica dos contrários por excelência, há de nascer, quando bem conduzida e suportada, a faísca que junto a muitas e muitas outras produz o salto quântico do qual todos precisamos."